Em resumo
Em 2007, o vaivém Discovery levou à Estação Espacial Internacional uma peça chamada Harmony. Ela ajudou a ligar diferentes partes da estação, abriu espaço para equipamentos e para o alojamento dos astronautas e facilitou a chegada de novos módulos e veículos. Mesmo sem ser um grande laboratório, tornou a estação mais espaçosa e mais bem conectada.
Um centro de ligações, não apenas uma sala
Harmony também é conhecida como Node 2, ou Nó 2. Foi o segundo grande módulo de ligação desenvolvido pela NASA para a estação, depois de Unity, o chamado Nó 1. A sua função está bem resumida no próprio papel que desempenha: servir de ponto central de ligação entre as partes da estação e oferecer aos módulos laboratoriais um espaço comum para se ligarem. A sua importância, portanto, não se limitava aos equipamentos instalados no interior; o módulo também permitia organizar melhor as futuras expansões da estação.
O módulo tem cerca de 14 pés de largura e 24 pés de comprimento, quase o comprimento de um pequeno autocarro. Essas dimensões podem parecer modestas em comparação com as de um edifício na Terra. Mas, numa estação em órbita, cada espaço é valioso e precisa de cumprir mais de uma função. Harmony oferece espaço interior para equipamentos, armazenamento e alojamento de alguns tripulantes; ao mesmo tempo, dispõe de pontos onde podem ser instalados outros módulos ou acoplados veículos visitantes.
A unidade foi construída para a NASA pela empresa italiana Thales Alenia Space. Tem cinco portas de ligação equipadas com mecanismos de acoplamento padronizados, concebidos para unir diferentes partes da estação. São essas portas que fazem de Harmony uma espécie de cruzamento orbital: os módulos laboratoriais podem ligar-se a ela, alguns dos seus pontos servem para receber veículos de carga e, na parte superior, há uma porta de acoplamento para as naves visitantes.
Uma viagem a bordo do Discovery
Harmony chegou ao espaço em outubro de 2007, durante a missão STS-120 do vaivém espacial. Não foi instalada no seu lugar definitivo assim que chegou. Primeiro, os astronautas fixaram-na temporariamente a Unity. Essa etapa fazia parte de uma instalação por fases, que exigiu reorganizar os pontos de ligação da estação antes de transferir o módulo para a posição final.
Depois da partida do vaivém, a tripulação usou o braço robótico da estação para afastar a porta de acoplamento do vaivém da posição que ocupava junto ao laboratório Destiny. A manobra abriu espaço suficiente para deslocar Harmony até ao seu lugar definitivo, ao lado de Destiny. Após uma viagem que durou cerca de duas semanas, o módulo deixou a posição temporária junto a Unity e foi instalado na porta dianteira do laboratório Destiny, considerado o principal laboratório da NASA na estação.
Esta sequência mostra que instalar um novo módulo não é simplesmente levar uma sala até à estação e colocá-la num espaço vazio. Os módulos e os veículos partilham um número limitado de portas de ligação, e mudar um deles de posição pode ser necessário para que outro ocupe o lugar mais adequado à estrutura da estação. No caso de Harmony, deslocar a porta do vaivém com o braço robótico foi parte essencial da solução, não um pormenor secundário da viagem.
A porta de entrada para os laboratórios da Europa e do Japão
Depois de ser instalada junto a Destiny, Harmony passou a ligar alguns dos principais laboratórios internacionais da estação. O laboratório Columbus, da Agência Espacial Europeia, ligou-se ao módulo pelo lado direito, enquanto o laboratório japonês Kibo ficou ligado pelo lado esquerdo. Assim, Harmony tornou-se uma ligação entre diferentes partes da estação, em vez de ser apenas um espaço isolado, ligado a um único laboratório.
A disposição dos módulos em torno de Harmony contribuiu de forma prática para o crescimento da estação. Uma porta de ligação adequada permite ampliar a estrutura, acrescentando novos módulos à rede existente, e também cria pontos de acoplamento que podem ser usados na chegada de veículos. Algumas das portas de Harmony servem para receber naves de carga, enquanto a porta situada na parte superior do módulo permite o acoplamento de veículos visitantes. Assim, a unidade combina a função de ligação entre os módulos com a de receber naves.
O nome Harmony, que significa harmonia, combina com um módulo que liga componentes criados por diferentes parceiros e programas espaciais. Mas não era esse o nome inicial: a unidade começou por ser chamada Nó 2 e recebeu o nome atual depois de um concurso aberto ao público, organizado pela NASA. Na prática, o nome não altera a sua missão principal: oferecer um ponto de ligação organizado entre laboratórios e módulos e ajudar a aproveitar o espaço disponível na estação.
Espaço para a tripulação e para os equipamentos
No interior de Harmony há oito prateleiras destinadas a cargas e equipamentos. Quatro são reservadas aos sistemas de aviónica, enquanto as outras quatro podem ser usadas para armazenamento ou para preparar espaços de alojamento para a tripulação. O módulo inclui espaços para os astronautas norte-americanos dormirem, o que acrescenta uma função habitacional à sua missão de ligação entre laboratórios.
Na estação, o alojamento e as operações precisam de funcionar em conjunto. O espaço usado para guardar equipamentos ou acomodar a tripulação faz parte de uma estrutura interligada e tem de se adaptar à circulação das pessoas e às necessidades dos módulos vizinhos. As oito prateleiras permitem diferentes utilizações no interior, enquanto os cinco pontos de ligação conectam Harmony a outras partes da estação. O módulo cumpre, assim, duas funções complementares: organiza o que está dentro dele e oferece portas para as estruturas que se ligam a ele pelo exterior.
Quando Harmony chegou, o aumento do espaço habitável foi comparado à diferença entre uma casa com cerca de três quartos e uma casa com cinco quartos. A comparação não significa que a estação seja uma casa no sentido habitual; serve para dar uma ideia do impacto da nova área disponível para a tripulação. Num ambiente com espaço limitado, mesmo uma ampliação que pareça pequena na Terra pode abrir mais possibilidades para viver e trabalhar em órbita.
A expansão recomeça depois de uma pausa
A instalação de Harmony marcou uma nova etapa na construção da Estação Espacial Internacional. Antes da sua chegada, a última expansão com a adição de um novo compartimento remontava a 2001, quando foi acrescentado o módulo russo de acoplamento Pirs, removido mais tarde. Entre essa adição e a chegada de Harmony passaram-se vários anos sem que a estação recebesse um novo compartimento semelhante. Por isso, a missão STS-120 foi um passo importante para retomar a expansão.
A importância da missão não se limitou, portanto, a colocar em órbita um módulo de certo tamanho. Ela também preparou uma estrutura que permitia receber e organizar outros módulos. Harmony serviu de ligação para a chegada de Columbus e Kibo e disponibilizou pontos para o acoplamento de veículos de carga e de outras naves. Sem um centro de ligação com estas funções, o crescimento da estação seria mais complexo, já que cada novo módulo precisa de um ponto adequado numa estrutura que já está em funcionamento.
É aqui que se percebe o valor do desenho modular da estação: várias partes cumprem funções diferentes, mas ligam-se através de portas específicas. Harmony não substitui Destiny, nem toma o lugar de Columbus ou de Kibo. A sua função é permitir a ligação entre esses módulos e acrescentar o seu próprio espaço interior. Nesse sentido, o seu impacto foi maior do que o tamanho do módulo poderia sugerir, pois os benefícios estenderam-se às unidades ligadas a ele e aos veículos que podem chegar às suas portas.
O que fez de Harmony um ponto de viragem?
Antes da instalação de Harmony, a estação tinha menos espaço para viver e trabalhar do que viria a ter mais tarde. Depois da sua chegada, passou a contar com um ponto central ligado a laboratórios internacionais, com prateleiras para equipamentos e com alojamento para membros norte-americanos da tripulação. Foi a combinação dessas funções que tornou Harmony tão importante: mais espaço interior, uma estrutura de ligação e portas que também podem servir para receber veículos.
A sequência de instalação revela ainda a complexidade de expandir uma estação em órbita. Harmony chegou a bordo do Discovery, ficou temporariamente ligada a Unity, e a porta de acoplamento do vaivém foi deslocada com o braço robótico. Só depois o módulo foi transferido para a sua posição definitiva junto a Destiny. A partir daí, foi possível ligar Columbus e Kibo aos seus dois lados. Estas etapas transformaram uma unidade lançada numa única missão numa parte permanente da configuração e do funcionamento da estação.
Harmony não era o maior laboratório da estação e também não tinha como objetivo realizar um único tipo de investigação. A sua força estava em ser uma estrutura de apoio versátil, que ligava espaços de trabalho e atendia a algumas das necessidades da tripulação e dos equipamentos. Quando uma estação espacial é composta por módulos separados, um ponto de ligação bem planeado pode ser crucial: não acrescenta apenas área, mas também permite conectar os restantes espaços numa estrutura integrada.
Conclusão
Harmony chegou à Estação Espacial Internacional a bordo do vaivém Discovery em 23 de outubro de 2007, durante a missão STS-120, e abriu uma nova etapa de expansão. Com 14 pés de largura, 24 pés de comprimento, cinco portas de ligação e oito prateleiras interiores, o módulo passou a conectar diferentes partes da estação, acomodar equipamentos e oferecer espaço para os astronautas norte-americanos dormirem. Instalado junto a Destiny, tornou-se o ponto de ligação dos laboratórios Columbus e Kibo, aumentou o espaço disponível para a tripulação e ajudou a preparar a estação para receber mais veículos e módulos. Harmony não foi apenas mais uma sala em órbita: foi a peça que tornou a estação maior e mais interligada.